
Porém, um acontecimento acabou com meu espírito. Minha priminha, de apenas doze anos, ingênua como toda garota mais velha deveria ser, chamou mais atenção que algumas ciumentas (talvez mal-educadas, mas não tenho certeza), que no ápice da brincadeira de Ciranda, deixaram a pobre garotinha isolada numa mesa, enquanto elas se divertiam rodando e sorrindo. Seus pais, ao verem isso, apenas balançaram a cabeça, resmungando algumas palavras e alegando isso ser comum e que ela ficara afastada por opção.
Diário, instantaneamente meus olhos se encheram. Não compreendo como ninguém possa amar aquela criaturinha como ela tem o direito de ser amada, enquanto eu, somente eu a amo com tanta ternura, tão profundamente, não pensando em outra coisa, querendo que ela apenas fosse feliz.
Bem, ao reler essa página, vi que me esqueci de lhe contar o final da história: os pais dela vieram me perguntar o motivo de tanta revolta. Disseram-me que toda criança deve sentir e se acostumar com a dor do mundo às vezes, pois o mundo não é um mar de rosas, e eu me perguntei como monstros assim poderiam ter uma filha tão dócil e linda...
'Dor do mundo...' esse sentimento vive e existe na forma mais pura entre as pessoas que chamamos gentilmente de incultos e rudes! Eles não sabem o significado dessa expressão! Eu sou a prova viva do sofrimento, e não desejo isso nem a eles.
Ahh, Diário... Agora estou inconformada com esse ato desumano! Se eu pudesse, adotaria essa pequena alma e lhe daria todo o amor do mundo."
Nenhum comentário:
Postar um comentário